Para chegar com os saldos corretos na virada fiscal de 2027, conte o estoque físico o mais perto possível de 31 de dezembro de 2026, congele a movimentação durante a contagem, compare o resultado com o saldo do sistema e lance os ajustes antes de fechar o mês. O número que sai dessa contagem vira o estoque final do balanço e a base do seu Livro Registro de Inventário.
Esse é o roteiro curto. Abaixo, nós detalhamos cada etapa, os prazos legais que valem hoje e o que fazer para não começar 2027 com saldo errado.
Por que a contagem de dezembro importa para o seu fechamento?
O estoque de 31/12 não é só um número de gestão. Ele entra em três lugares ao mesmo tempo:
- Balanço patrimonial: o estoque costuma ser um dos ativos circulantes mais relevantes de uma PME que vende produto.
- Custo da Mercadoria Vendida (CMV): o estoque final de um ano é o estoque inicial do ano seguinte. Errar aqui distorce o lucro apurado e, por consequência, o imposto.
- Livro Registro de Inventário (Bloco H do SPED Fiscal): quem é contribuinte de ICMS e tem estoque precisa escriturar o inventário na EFD ICMS/IPI.
Se você contar o estoque só em fevereiro, como alerta parte dos especialistas, já terá comprado para janeiro em cima de um número que não existe mais. Contar perto da data de corte é o que mantém a gestão e a contabilidade falando a mesma língua.
Quais são os prazos legais que valem hoje?
Com a data de referência em 12 de outubro de 2026, estes são os marcos a observar para o exercício que fecha em 31/12/2026:
- Data de corte do inventário: 31 de dezembro de 2026, posição de estoque usada no balanço.
- Livro Registro de Inventário: empresas do Simples Nacional e do Lucro Presumido escrituram o inventário ao final do ano-calendário. No Lucro Real, a escrituração é trimestral ou anual, conforme a forma de apuração.
- Bloco H do SPED Fiscal: para contribuintes de ICMS, o inventário de 31/12/2026 costuma ser entregue na EFD ICMS/IPI de referência fevereiro de 2027, apresentada em março de 2027. O prazo exato varia conforme a legislação do seu estado, então confirme a data com a sua contabilidade.
Vale dizer o risco com todas as letras: a falta de escrituração do Livro Registro de Inventário pode gerar multa, em geral calculada como percentual sobre o valor do estoque não escriturado, conforme a norma de cada estado. E o saldo declarado no Bloco H é cruzado com outras obrigações, inclusive a apuração do IRPJ. Divergência grande chama fiscalização.
Como você pode organizar a contagem sem parar a operação?
Você não precisa fechar a empresa por uma semana. Uma abordagem comum é dividir o estoque em grupos e contar por partes, congelando só o grupo do dia:
- Monte a curva ABC. Separe os 20% de itens que concentram a maior parte do valor. São eles que mais pesam no balanço e merecem contagem cuidadosa.
- Defina o cronograma. Distribua os grupos ao longo dos últimos dias de dezembro, deixando os itens de giro alto para contar fora do horário de pico.
- Congele a movimentação do grupo. Durante a contagem de um grupo, nada entra nem sai dele no sistema. Isso evita a diferença clássica entre o que foi contado e o que foi vendido no meio da contagem.
- Use fichas pré-numeradas ou coletor. Registrar com fichas controladas reduz a chance de um item ficar sem contar ou ser contado duas vezes.
- Faça dupla contagem nos itens de maior valor. Duas equipes diferentes contando o mesmo grupo A aumenta a confiabilidade. Onde houver divergência, reconte.
Como conciliar a contagem com o saldo do sistema?
Contar é metade do trabalho. A outra metade é comparar o físico com o registrado e entender cada diferença:
- Levante o relatório de saldo do sistema na data de corte.
- Compare, item a item, com a contagem física.
- Investigue divergências antes de ajustar: venda não baixada, entrada não lançada, perda, quebra, furto ou erro de cadastro.
- Lance os ajustes de estoque com histórico claro do motivo, para que a contabilidade e uma eventual auditoria consigam rastrear.
- Confirme com a sua contabilidade qual valor de custo usar na avaliação do estoque, porque o critério de custo impacta direto o balanço.
Como nós podemos ajudar nesse fechamento?
No Plenno, o módulo de estoque, compras e vendas mantém o saldo atualizado conforme você movimenta, o que encurta a distância entre o físico e o sistema quando chega dezembro. Você consegue levantar a posição por item para comparar com a contagem e lançar os ajustes com rastreabilidade.
Do lado financeiro, o DRE, o fluxo de caixa e a conciliação bancária ajudam a fechar o restante do exercício junto com o estoque, para que você entregue à contabilidade um conjunto consistente.
Um ponto honesto: o Plenno hoje não emite NF-e de mercadoria nem NFC-e. Ele cuida da NFS-e (nota de serviço, com retenções), do financeiro, de contratos recorrentes, estoque, compras, vendas e CRM. A geração do arquivo do Bloco H costuma sair do sistema fiscal usado pela sua contabilidade a partir dos dados de inventário; o que fazemos é manter o seu saldo organizado para alimentar esse processo.
Organizar a contagem, mapear o processo de inventário e ajustar a implantação do estoque é um trabalho que podemos conduzir junto com a sua equipe. Se quiser, chegamos ao fim de dezembro com um método definido, e não improvisando na véspera do balanço.