Todos os artigos Gestão

Split payment adiado para 2028: o que muda no caixa da sua PME

Publicado em 09/09/2026 6 min de leitura

Em 30 de agosto de 2026, a Receita Federal confirmou que o split payment não vai ser obrigatório em janeiro de 2027, como se esperava. A obrigatoriedade nas vendas entre empresas foi adiada para 2028. O mecanismo continua de pé e o efeito sobre o seu caixa é o mesmo: o IBS e a CBS passam a ser retidos no instante em que a venda é liquidada, e a sua PME recebe o valor já líquido de imposto. O que você ganhou foi tempo.

Uma ressalva logo de saída: a data de 2028 é, por enquanto, uma previsão comunicada pela Receita, e não uma norma publicada no Diário Oficial. Trate como direção, não como garantia.

O que muda no seu fluxo de caixa

Hoje existe o chamado "float tributário": você recebe o valor cheio da venda, usa esse dinheiro por dias ou semanas e só depois recolhe o imposto na data de vencimento. Esse intervalo funciona como um capital de giro informal e gratuito.

Com o split payment, esse float acaba. O imposto é separado e destinado ao Fisco na própria liquidação do pagamento. A carga tributária não aumenta, mas o momento em que o dinheiro sai do seu caixa muda, e isso pressiona a liquidez de quem já opera com margem apertada.

Exemplo de uma venda de R$ 1.000 com alíquota hipotética de IBS e CBS de 26,5%:

O percentual é ilustrativo. A alíquota de referência ainda será fixada pelo Senado, com prazo até 15 de dezembro de 2026, e a estimativa mais recente do Comitê Gestor do IBS, usada como parâmetro orçamentário, é de 27,91%. Seja qual for o número final, a lógica não muda: o caixa disponível logo após cada venda diminui.

O cronograma atualizado

QuandoO que acontece
Agora, em 2026Fase de teste. Desde 3 de agosto, os documentos fiscais eletrônicos destacam IBS e CBS na alíquota-teste de 1% (0,9% de CBS e 0,1% de IBS), sem recolhimento efetivo. Não existe split payment em operação.
30 de setembro de 2026Último dia para optar pelo RAD com efeito no primeiro semestre de 2027.
15 de dezembro de 2026Prazo para o Senado publicar a alíquota de referência que vale em 2027.
Janeiro de 2027A CBS entra em vigor e substitui PIS e Cofins. O IBS segue em alíquota de teste.
Ao longo de 2027Split payment disponível de forma voluntária, apenas entre empresas, liberado por fases conforme os meios de pagamento vão sendo integrados.
Março de 2027Segunda janela de opção do RAD, de 1 a 31, com efeito no segundo semestre.
2028Início previsto da obrigatoriedade nas operações entre empresas.
2029 a 2032Transição gradual do ICMS e do ISS para o IBS.
2033Modelo plenamente vigente.

O motivo do adiamento é operacional, e não político: mais de 200 instituições de pagamento precisam converter os sistemas delas antes que o mecanismo possa ser exigido, e essa integração acontece ao longo de 2027. O split payment depende de bancos, adquirentes, Receita e Comitê Gestor conversando entre si, o que faz dele uma das peças mais complexas da reforma.

Se você é do Simples Nacional, leia esta parte

Aqui está o ponto que mais gera confusão. Se a sua empresa é optante do Simples Nacional e recolhe tudo na guia única do DAS, o split payment não se aplica às suas vendas. A Lei Complementar 214/2025 coloca no mecanismo quem apura IBS e CBS pelo regime regular.

O optante do Simples pode escolher esse caminho: apurar IBS e CBS no regime regular e manter IRPJ, CSLL e CPP no recolhimento unificado, no arranjo que o mercado chama de regime híbrido. A opção é semestral e irretratável dentro do período escolhido, então não é decisão para tomar no impulso. MEI e Simples tradicional ficam fora tanto do split payment quanto do RAD.

Se essa escolha está na sua mesa, escrevemos sobre ela em Simples Nacional 2026: quando virar regime híbrido para gerar crédito B2B?.

A decisão que tem prazo agora: o RAD

Enquanto o split payment não é obrigatório, existe uma alternativa com data marcada. No RAD, sigla de Recolhimento pelo Adquirente, quem recolhe o imposto da operação é o comprador, e não o fornecedor. Na prática o fornecedor também passa a receber líquido, e o comprador tende a se apropriar do crédito mais rápido.

Podem optar empresas do Lucro Real, do Lucro Presumido e do Simples híbrido. Ficam de fora MEI, Simples tradicional, vendas ao consumidor final e pessoas físicas.

O prazo é curto: 30 de setembro de 2026 para valer no primeiro semestre de 2027. Quem perder essa janela tem outra entre 1 e 31 de março de 2027, com efeito no segundo semestre. Se você vende para empresas maiores, vale perguntar ao seu contador se algum cliente seu pretende adotar o RAD, porque isso muda o que entra na sua conta antes mesmo de 2028.

Como você pode se preparar em 5 passos

  1. Simule agora com o valor líquido. Refaça as projeções de caixa considerando que cada venda entra já sem IBS e CBS. É o teste mais barato que existe e você não precisa esperar 2028 para fazer.
  2. Fortaleça o capital de giro. Reserve caixa ou negocie linhas de crédito para cobrir a diferença de ingresso de receita.
  3. Revise preços, margens e contratos. Reveja prazos de pagamento a fornecedores e condições comerciais que dependiam do float.
  4. Organize seus créditos tributários. No novo modelo, o crédito de IBS e CBS depende de documentação fiscal correta, e erro na nota trava o crédito.
  5. Automatize a apuração e a emissão fiscal. Controle manual não acompanha um recolhimento feito na liquidação da venda.

Como nós te ajudamos a chegar preparado

Nós construímos o Plenno para centralizar vendas, financeiro e emissão de documentos fiscais em um lugar só, o que te ajuda a projetar o fluxo de caixa pelo valor líquido e a manter as notas organizadas para não perder créditos. Com faturamento, recebimentos e impostos integrados, fica mais simples enxergar o efeito do split payment antes que ele aperte o seu caixa. Refazer essa projeção com o valor líquido é um trabalho que podemos conduzir junto com a sua equipe.

O adiamento para 2028 não é motivo para arquivar o assunto, é a diferença entre chegar preparado e chegar correndo. Quem simular o caixa líquido e organizar a parte fiscal ainda em 2026 atravessa a transição sem susto.

Perguntas frequentes

O split payment foi adiado? Qual é a nova data?
Em 30 de agosto de 2026 a Receita Federal confirmou que a obrigatoriedade nas operações entre empresas passa de janeiro de 2027 para 2028. Em 2027 o mecanismo existe, mas de forma voluntária e apenas entre empresas. A data de 2028 é uma previsão comunicada pela Receita, e ainda não uma norma publicada no Diário Oficial.
O que é split payment na reforma tributária?
É o recolhimento automático do IBS e da CBS no momento em que o pagamento da venda é liquidado. A empresa recebe o valor já líquido de imposto, sem que o tributo passe pelo seu caixa.
Empresas do Simples Nacional terão split payment?
Não, se permanecerem no recolhimento unificado do DAS. O mecanismo alcança quem apura IBS e CBS pelo regime regular. O optante do Simples pode escolher esse regime só para IBS e CBS e manter os demais tributos no DAS, em opção semestral e irretratável. MEI e Simples tradicional ficam de fora.
O que é o RAD e qual o prazo para optar?
RAD é o Recolhimento pelo Adquirente: o comprador recolhe o imposto da operação no lugar do fornecedor. É voluntário e está aberto a Lucro Real, Lucro Presumido e Simples híbrido. O prazo para valer no primeiro semestre de 2027 é 30 de setembro de 2026, com nova janela entre 1 e 31 de março de 2027.
O split payment aumenta os impostos da minha empresa?
Não. A carga tributária em si não aumenta. O que muda é o momento do recolhimento: o imposto sai do caixa na liquidação da venda, e não mais na data de vencimento, o que reduz o capital de giro temporário.
Como preparar o fluxo de caixa para o split payment?
Refaça as projeções de caixa usando o valor líquido de cada venda, fortaleça o capital de giro, revise preços e prazos, organize os créditos tributários e automatize a apuração e a emissão fiscal.

Plenno é o ERP SaaS da HBI Consultoria para PMEs brasileiras: financeiro, cobranças, NFS-e, estoque e vendas no mesmo sistema, com servidores no Brasil e conformidade com a LGPD.

Quer ver o Plenno na prática na sua empresa?

Gestão financeira, estoque e vendas em um só lugar, com a rotina de uma PME brasileira.

Conhecer os planos

Sem cartão de crédito. Cancele quando quiser.